sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Shadow: seja bem-vindo mais um projecto português




O efeito myspace causa, cada vez mais, um efeito que se torna a cada passo mais pessoal, no que respeita a fazer música experimental. Uma só pessoa faz tudo sozinha e depois partilha com os interessados as suas composições "domésticas". O critério "do it yourself" dá origem a projectos como Alcest, Runhild Gammelsaeter, Justin Broadrick, Noiserv, entre uma lista infindável. Desta vez falo da minha irmã Karoll Fontoura, mais conhecida como Shadow, no projecto em questão e... seria praticamente inevitável não falar dela só por ser minha irmã... Desde os seus 13 anos que toca em bandas, foi uma das mentoras e tocou nos Puk e agora tem o projecto "E" com MTYM e ainda outro em progresso (a saber o nome), juntamente com mais dois membros dos Puk, as suas duas irmãs.

O seu projecto "Shadow" avança com unhas e dentes e, quanto a mim, tem músicas bastante intensas. Por exemplo, "You and I", arrasta-nos para o universo infantil e simplista de uma guitarra acústica e uma voz que descarrega gritos de baleia dos mares frios. São de notar várias referências musicais, nomeadamente de black metal e experimental. Por outro lado, "My Falling" é compassadamente doom misturada com teclas sombrias e gritos contínuos assim que a música vai esgotando.

"Shadow" com apenas 24 anos, não pára de criar e de entregar-se ao que mais a satisfaz, fazer música.
Gostaria muito de ouvir ao vivo esta atmosfera sombria e espiritual que Shadow transporta. Considero cada vez mais que projectos pessoais como este e os já referidos são, digamos, que um diário intransmissível e difícil de ser adulterado, porque no fundo estamos a falar de linhas que vêm de uma só pessoa e que não é filtrada por outros membros, como acontece com as bandas. Não quero com isto dizer que não são necessárias as bandas, pelo contrário, mas estes projectos são também um lado da realidade musical a que não podemos ignorar e escapar.

Podem ouvir Shadow aqui

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Scaffold Bird: "Visible"



Scaffold Bird acaba de pousar em terra e anuncia que Visible está terminado, prestes a circular pelo mundo afora. O ep de quatro temas mais um, o último é um single edit de "Awake in a Halo", foi gravado nos estúdios Lounge Records, em Torres Vedras e produzido por Pedro Moreira.

Depois de algumas repetições na audição do ep identifica-se claramente uma divisão em termos sonoros.
"Soft Rain" e "Silent Dream" são dois temas mais melancólicos e mais atmosféricos do que os outros dois. "Visible" e "Awake in a Halo" transparecem a tendência mais pesada da banda. Se nas primeiras a abordagem desperta para o lado mais viajante que as melodias suscitam, a segunda parte do álbum representa a vertente mais progressiva e metal dos SB.
O que temos aqui é um primeiro ep que resume a capacidade criativa desta banda, que faz despoletar a curiosidade para próximas gravações. É sem dúvida um trabalho interessante, mas que ainda não consegue demarcar um limite sem pisar nas suas influências mais óbvias, Opeth, Katatonia e Porcupine Tree. De qualquer maneira estas influências não invalidam o trabalho realizado, porém crê-se que teriam mais a ganhar se seguissem a linha mais personalizada das duas primeiras faixas.
Os Scaffold Bird tocaram nalguns palcos da Grande Lisboa e a verdade é que têm recebido algum feedback não só dos portugueses como também dos ouvintes que visitam o myspace a partir de vários pontos do mundo, especialmente da Europa do norte.

Um projecto interessante que começa a compor novos temas a partir de Dezembro com o regresso do vocalista e guitarrista Cláudio Lousada que neste momento se encontra na Suécia.

Podem encomendar o ep e ouvir duas músicas de Visible: http://www.myspace.com/scaffoldbird

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tráfego em Secret Chiefs 3



Façamos das imagens as nossas palavras: deu para ouvir muito bem e deu para ver muito mal. No entanto não deixamos de salientar que foi grande concertão!
Haverá uma próxima mas mais sossegada ou uma próxima numa sala maior? Agradecemos a entrada dos Secret para a sala pela parte da frente e à Amplificasom pelo óptimo trabalho.

domingo, 22 de junho de 2008

Memórias de Catacombe




Na simplicidade da realização das “coisas”, encontram-se tesouros raros e preciosos.

No tempo onde a era digital não imperava, a música, assim como outras coisas, chegava-nos fora de horas.

Hoje andamos na rua e não sabemos que o vizinho do lado faz música sozinho: uma guitarra, um software, uma mesa, um pedal e emoções que se convertem em sons.

Chega-me a casa Memoirs, as memórias de Pedro Sobast, em seis estágios de Catacombe.

Prelude, tal como o nome indica, é o prelúdio do que vai acontecer – uma viagem que memoriza carícias, incómodos, revoltas e curiosidades.

A guitarra chora Playground Ghosts e anda descompassadamente pelo vale, à procura de paisagens bonitas para escrever palavras que se repetem e dizem a mesma coisa, vezes sem conta, acabando sem fôlego.

Vozes de criança, gritos de fundo remetem World’s End Girlfriend com notas simplificadas prontas a personalizar Memoirs.

O pós-rock de Catacombe não coloca barreiras na interacção com o ouvinte; desenrola uma partilha de sons com quem tem pressa de criar paisagens idílicas.

Em Memoirs, o também guitarrista de Lonney Tones, dedica-se sem relógio à partilha de memórias com quem pretende recriar as suas próprias.

Memoirs foi tocado e produzido por Pedro Sobast e posteriormente masterizado por Paulo Lopes, guitarrista dos Crushing Sun, no Soundvision Studios.

Agora que temos trabalho registado, Catacombe está pronto para receber músicos que se introduzirão para comover memórias.

Aproveitem para ouvir algumas músicas que constam no Memoirs: www.myspace.com/catacombeband

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Concerto de Diamanda Galás na Casa da Música


(Não foi autorizado tirar fotografias no espectáculo de Diamanda Gálas na Casa da Música).

Algum tempo depois, o concerto que a deusa/diabo Diamanda Gálas deu no passado dia 9 deste mês, na Casa da Música, é já recordado com alguma saudade e dúvida.
O piano encontrava-se ainda sozinho no meio do palco e mal se viam os focos acesos que lhe estavam apontados.
Pouco tempo depois, uma mulher enigmática entra com passos de pessoas habituadas a pisar palcos. Não diz nada, senta-se e domina o piano com notas que não cabem em canções, aceita mais depressa as notas graves que as agudas. Vestida de negro, cabelo para além das costas. Os focos quase que a transformam numa sombra, como fundo um cenário minimalista.
A sua voz delira sons de animais, escalas que poucos conseguem atingir, cantos de sereia e graves saídos de túmulos fechados. A senhora cantou Guilty Guilty Guilty com a experimentação vocal que a distingue e, ainda, ressuscitou Edith Piaf.
Galás continua a assustar os mais sensíveis ao terror com as suas divagações vocais e ambientes sombrios, são poucos os que deixa entrar no seu mundo desiludido pelo amor. Cada música sua demora o tempo que a mesma determina no palco.

Na revista Terrorizer, numa entrevista a Diamanda, a própria revela algum descontentamento em relação a algumas palavras que Mike Patton proferiu sobre as suas prestações em palco, algo como: Diamanda não improvisa ou não sabe improvisar, quando ele era, no tempo da sua juventude, um dos que se sentavam na primeira fila nos anos 90, para assistir aos seus espectáculos.
Se o que Mike Patton disse é dado como verdade então há que desmentir porque se há coisa que esta mulher bem crescida sabe explorar é o improviso. Galás não se limita às estruturas de cada trabalho seu porque o mais importante para esta mulher de sangue grego é misturar ambientes que tornam os sons em imagens diabólicas e angelicais.

As palmas não pararam e fez dois encores. Depois do concerto sentou-se numa das salas da Casa da Música e à sua frente estava uma parede de vidro. Os fãs mais atentos tiveram a oportunidade de lhe fazer gestos de Adeus. Gestos que anseiam um regresso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Trinacria e Audrey Horne



Sem entrar, ainda, em grandes pormenores deixo uma belíssima sugestão: Trinacria com Travel Now Journey Infinitely. Um projecto com elementos de Enslaved, banda que nos deixou um concerto memorável há pouco tempo em Barroselas, Fe-mail e Emmerhoff.

" The hard hitting sounds of cutting edge Norwegian Extreme Metal combined with contemporary Norwegian Noise’s finest makes for a unique blend. The result outdoes the sum of the products by far – Trinacria represents something unique on the music scene as a whole."
Fonte: Myspace oficial da banda

Outra sugestão não muito actual:
Audrey Horne (membros de Enslaved e Gorgoroth) apresentaram-nos no ano passado o segundo álbum Le Fol, um álbum que se calhar não teve muitos ouvidos postos em cima mas que não deixa de ser bom. Este é um projecto de hard rock com influências, como os próprios membros indicam, de Tool, Alice in Chains e Faith no More. Todo o álbum demonstra claramente fortes influências às bandas já referidas. Treshold descarrila para emoções toolísticas com contratempos de voz. O álbum é todo um conjunto de músicas que parecem ter estado guardadas há muito nas gavetas.
http://www.myspace.com/audreyhornemusic

sábado, 12 de abril de 2008

Quem são os After Chaos?


After Chaos é o nome de um projecto recente iniciado por um ilustre desconhecido no ano de 2006.
Da pouca informação que existe, sabe-se que R. Talhadas, baixista dos Pratyahara, inicia esta aventura para extravasar a criatividade noutra direcção. O resultado são quatro temas, ainda em versão demo, encaminhados para uma sonoridade envolvente onde a melodia é a matriz orientadora. Riffs divididos na cadência de um compasso em contratempo e um baixo bem presente a fazer lembrar o legado tooliano. Muito bom gosto e muito boas referências de uma banda que ainda não revelou todo o seu potencial.

A R.Talhadas (voz, baixo, guitarra, teclas e bateria) juntou-se outro membro, Ricardo Menezes (voz e guitarra).
Brevemente, segundo informação disponível no myspace dos After Chaos, serão adicionadas as versões finais dos temas já com voz.

visitar:
www.myspace.com/afterchaos

Ahoora: metal made in Irão


Os iranianos Ahoora vão editar, pela britânica Real2can records, o álbum homónimo gravado em 2006.
Depois de dois anos sem conseguirem uma editora que trabalhasse com eles e depois de várias obstáculos no país natal, o primeiro álbum vai ser lançado com distribuição mundial.
Para além de "Ahoora", têm também gravado "All in Blood With You" de 2007, ainda sem selo.

Os Ahoora fazem um metal competente que nos remete imediatamente para Iced Earth. Em alguns momentos é difícil não pensar em Jon Schaffer e nos seus riffs ultra-rápidos aos quais os iranianos não são indiferentes. De qualquer maneira não se pode dizer que sejam uma cópia dos norte-americanos, mas não há dúvida que os tomam como referência. São dotados de uma técnica e de uma capacidade de composição que lhes permite alguma diferenciação.

Desde 2001, ano de fundação, procuram um espaço no cenário musical repressivo iraniano. Depois da autorização dada pelo ministro da cultura (obrigatório a qualquer músico que queira trabalhar), compuseram alguns temas para apresentarem ao vivo. Na altura o set era repartido entre temas originais e versões de Metallica, Maiden, Sabbath e maioritariamente Iced Earth. Das primeiras datas marcadas, no mesmo espaço, em duas noites seguidas, apenas uma foi concretizada. O segundo dia foi cancelado pelas autoridades que o acharam inconveniente numa altura em que faltava uma semana para a eleição do presidente. Ainda assim, fizeram história, foram a primeira banda de metal no Irão que tocou ao vivo com voz. Dos poucos concertos de metal realizados no Irão, as bandas apenas eram autorizadas a tocar o instrumental.
Depois de vários concertos adiados e de algumas promessas para tocar no estrangeiro, que não aconteceram devido à politica severa no que toca a saídas do país, vêem nesta oportunidade a esperança de uma internacionalização.

Ahoora:
www.ahoora-band.com
www.myspace.com/ahooraband

terça-feira, 1 de abril de 2008

Soap and Skin



Uns acham que é pequena de idade e de tamanho. Outros comentam que uiva que nem um cão nos concertos. As franjas quase tapam os seus olhos fundos e inquietantes.
Começou a aprender tocar piano aos 6 anos e é filha de criadores de porcos. Uns anos mais tarde, nos seus ternos 13 anos, pensava deixar as teclas brancas mas o pai aconselhou-a a perdurar por mais um ano. Pouco tempo passou e acabou por deslumbrar-se pelo seu seu novo amigo piano.
Podem ouvir a voz da encantadora Anja Plaschg, mais uma menina que sabe provocar audiências.

http://www.myspace.com/soapandskin

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A neblina dos Scaffold Bird



Em meados de Dezembro de 2007 surgem os Scaffold Bird, uma banda portuguesa de Torres Vedras. Cláudio Lousada dos Significance convida Ricardo Matias dos Spiral Motion, com a intenção de formar um projecto folk. As influências que os dois partilhavam eram demasiadamente semelhantes para não tentar fazê-lo. Contudo, apesar de partilharem as mesmas ideias, foi num ensaio que decidiram, afirma Ricardo Matias, "enveredar pra onde nos sentíamos mais à vontade, o rock experimental".
Daniel Silva é também convidado para se juntar aos Scaffold Bird, sendo já amigo e baterista de versões, acabou por ser logo a primeira opção de Cláudio e Ricardo.

Neste fim de semana encontram-se com o produtor Pedro Moreira a gravar dois temas que vão constar no álbum, ainda sem nome, no Lounge Recordings (Torres Vedras).
Numa conversa com Ricardo, o guitarrista comenta que "é quase preciso um tractor para chegar aos estúdios", no entanto "a paisagem é inspiradora para gravar".

Aconselho a visitarem o myspace dos SB todos os que gostam e apoiam música experimental, abastecida de guitarras que arrepiam.
Soft Rain inicia-se com melodias simples que se arrastam, convergindo a voz de Cláudio na mesma atmosfera.
Acredito que esta banda, ainda muito recente, vai-nos fazer viajar muito.

http://www.myspace.com/scaffoldbird

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Virgin Black | Requiem - Fortissimo


"With 'Requiem - Fortissimo', Australian's Virgin Black exhumes the classic doom vibe of Candlemass, Trouble and Paradise Lost. The band’s rawest
and heaviest album to date!" - End Records

Uma analogia às três fases de evolução é a trilogia que os australianos Virgin Black apresentam numa longa duração de música (2:30h), com os Requiems. Os álbuns dividem-se em Requiem - pianissimo, Requiem - mezzo forte e Requiem - fortissimo.
Não podemos dividi-los uns dos outros como se os considerássemos trabalhos individuais. Quase que posso afirmar que os três contam uma história epopeica passadas no céu, terra e inferno.
Pianissimo tenta-nos com a sensibilidade de uma mulher que se reserva no céu, com medo de intentar desejos carnais e, por isso, é no céu que o seu puritanismo é colocado à prova. Este Requiem chora a frustração de não ter conseguido ficar por mais tempo resguardada neste lugar seguro. Um anjo expele-a com a orquestra revoltada e vai para onde mais receava ir, a terra.
Ouve-se um pranto enternecedor de um homem viúvo que chora a mulher num Requiem - Mezzo Forte. O sofrimento do viúvo refoge-se na voz da mulher e nas memórias que tem dela. Está sozinho no funeral e o corpo da mulher está estendido dentro de um caixão. O tempo passa e nunca foi capaz de o enterrar. Acaba por viver na capela e expulsar todos os que lá iam orar. A distorção alastra-se em doom pela sala, movida pela sombra de um homem possesso.
Agora são guitarras que choram, violinos inferiorizados pela voz do cadáver e, por fim, várias vozes que marcham. Ela diz que não volta mais e ele é dono do inferno.
Fortissimo não tem piedade, está pronto para odiar com voz gutural.

No site da End Records podem reservar Requiem - Fortissimo (clicar aqui)

http://www.myspace.com/virginblackofficial

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Gnu

"Ainda que atormentado por desejos carnais, este animal da savana lisboeta sujeita-se à condição de herbívoro ruminante. Porém, mastiga sem medo urtigas e cactos, para regurgitar sempre algo de novo. Bovino orgulhosamente solitário, só recorre à manada por alturas do cio. Entretanto, desbrava caminhos sem se preocupar com o que esconde o próximo arbusto: rock de popa, electrónica do deserto, metal do inferno, uma fanfarra, o desconforto, um leão ou David Attenborough.

O Gnu alimenta-se também dos sons indigestos de Aavikko, Young Gods, Mr. Bungle, Daft Punk, Death From Above 1979, Dengue Fever, Soft Machine, Dick Dale, Peter Thomas, Jean Jacques Perrey, Oingo Boingo, Melt Banana, Robert Wyatt, John Zorn, Lounge Lizards, Raymond Scott, Air, T. Power, Lionrock e Napalm Death." - Gnu myspace

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Manifesto CAMPA



Submergiram nas areias movediças e, sem ninguém esperar, soltaram-se das amarras. Depois espirraram pó. Da expulsão solitária da Sra. Areia vaguearam sozinhos na floresta. Por fim, encontraram-se e, entre gritos, caras brancas e guitarras sujas, a floresta tornou-se deles. Mãos no ar invocaram espíritos, atropelos rápidos correram atrás deles. Um ritual? A CAMPA abriu-se.

Envolvidos em vários projectos, Álvaro Silveira (ex Negative Gain, 320 Monstros, Tigre Deficiente e outros mais) e Renato (Monogono, Goreganta Funda, Felattio) abraçam uma cumplicidade musical. Faltava uma coisa assim aqui. Na caixa secreta escondem trechos ambiciosos prestes a serem libertados. Dia de Finados, o primeiro álbum do duo, tem data prevista para Fevereiro do próximo ano. Ainda não se sabe se em CD, se em formato para download ou se num totalmente diferente e inovador.

"O imaginário CAMPA anda à volta das superstições populares portuguesas...os diabos, as igrejas, as rezas, o terço, as bruxas no ribeiro, as cruzes de pedra, o Padre com pata de bode, o carrapato , campa soa a uma manhã de nevoeiro em SAO CIPRIANO." - Álvaro Silveiro

http://www.myspace.com/universocampa

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

White Chalk aberto ao mundo


Mãe quero de volta a infância. Lembro-me de ti e do pai. Ajuda-me a esquecer todas as palavras e articulações que me ensinaram. Eu quero voltar a ser criança de vestidos brancos que fizeste. Eu esqueço as maquilhagens e cabeleireiros. Quero-vos de volta porque quando a solidão assombra acarinham-me a voz.

Onde estás avó? Sinto saudades. Ouves-me da campa? Ouves-me avó? Estou aqui e já te foste. Mas porque não me sais do quarto? Da música que rasteja? Tu sempre foste minha e não te contive o tempo.

Arrasto uma corda aqui e outra depois. É tempo de perdoar. De perdoar. De amar. Ouves a harpa? Faz amor com o piano.

O que me vale ser mulher? Eu nunca soube andar de botas e tocar os clássicos ao piano. Invento notas com as mãos e quando finalmente quero crescer agarro uma palavra de súplica aguda.

O meu corpo vive algum tempo e a minha alma redobra infância.

Pai estás no canto e só eu oiço o que não dei importância. Invoco-vos num ritual nostálgico. Voltem. Nem que seja para me deitarem uma vez.

A pele está limpa e sem cor. Despeço-me para estar com quem amo. Devia um testamento ao mundo. E por isso escrevo-o sozinha.

É sobre um dos melhores álbuns de 2007 ouvido por mim vezes sem conta. Tudo o que escrevi acima tem unicamente como referência o álbum "White Chalk" de Polly Jean Harvey sem qualquer investigação feita sobre ele.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Peixe:avião




Uma novidade sacudida na água.
Chamam-se peixe:avião e são de Braga. O quinteto resulta da fragilidade harmónica que os faz sair da água para voar no céu. Dedilhados preenchem os acordes de base e a voz contida e quase silenciosa revela-se suavemente hipnótica.

Agora andam nos palcos.

Insólito bar - Braga | 23 de Novembro | 22:00h
Whisky bar - Vila do Prado | 24 de Novembro | 23:00hw
N101 - Caldas das Taipas | 8 de Dezembro | 23:00h
O Meu Mercedes - Porto | 14 Dezembro | 22:00h
Passos Manuel - Porto | 31 Janeiro | 22:00h
Mercado Negro - Aveiro | 7 Fevereiro | 22:00h

Agora é marcar na agenda o dia que dá mais jeito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Lucy and the Popsonics


E como a música no seu sentido mais amplo não deve restringir-se a um género, eu confesso que não preciso de ouvir isto com umas goladas de álcool em cima. Até porque tem a sua piada. Uma caixa de ritmos, uma miúda com voz revoltada e um outro que até gosta de passar os dias em casa a experimentar novos efeitos na pedaleira, incluem humor às letras . É música para rir e um tanto nonsense, o caso de Eu Quero Ser Seu Tamagotchi (é mais eu quero ser seu tamagocheee). Imaginem uma criança que faz uma letra com esferográfica cor de rosa, os "o" aos coraçãozinhos, um quarto empilhado de posters dos Clash, Pj Harvey, Mudhoney e até dos Velvet Underground (isto já sou eu a imaginar) e uma menina com cabeça de panda a dançar com umas sapatilhas verde fluorescente, são as várias imagens de que os garotos se vestem. É óbvia a ligação aos The Kills. A caixa electrónica nesta era não é mais elaborada do que nos 80, os casais juntam-se para fazer banda, começa a ser cardápio de meninas riot que querem brilhar na plataforma com um gajo qualquer de cabelo à la mode.
Os Lucy and the Popsonics gostam de divertir a plateia e já têm assinatura pela Pulsorama e Monstro Discos. Vêm do Brasil ao Lounge e depois Maus hábitos. Acho que ainda apareço por lá. Apetece-me saltar ao som de bolinhas às cores. Ah pois ... dias? hum...23 de Novembro Lounge e o a seguir nos Maus Hábitos.


Lucy and the Popsonics: myspace

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Mammatus no topo da montanha – The Coast Explodes


De uma paisagem de árvores, rochas, cercada de nuvens saem os Mammatus. O quadro data de 2005, a formação da banda. Tudo que contam tem uma história, cada instrumento é uma personagem.

Corralitos é um momento inesquecível não só por ser o lugar de onde a banda é natural, por coincidência ou não, como foi lá que o primeiro concerto abriu portas para tantos outros. Os concertos endurecem os pescoços dos fãs - afirmação da banda.

Sem dinheiro no mealheiro e sem editora gravaram quatro faixas numa garagem. As influências de Sabbath a Hawkind estavam ao rubro e em confluência instrumental o quarteto expande-se na atmosfera que os droga. Os Holy Mountain Records de São Francisco e os Rocket Records, Inglaterra, arregalaram os ouvidos e apostaram no auto intitulado álbum de 2006.

Em 2007 os profetas sobem de túnica à montanha com os amplificadores às costas, olham para o mar de longe para ver a costa a explodir. The Coast Explodes é uma homenagem à terra, ao mar, a tudo que existe e para lá do que existe. Em acordes acústicos e uma flauta celta chega-nos a história do mar que emerge das rochas num Pierce The Darkness. As nuvens, de onde a banda se inspirou para o nome, invadem o cenário para dinamizar os dedos dos difusores do rock psicadélico da nova temporada. Paragens de feedbacks harmonizam e esperam deslizes de notas. A bateria se acende e toques doom encorajam a voz que tenta acalmar o mar agitado. Não têm medo de ousar, o que importa é exprimir o que a fusão cerebral comanda. As vozes declaram a vitória da batalha e o mar se acalma. “A natureza tem que estar do nosso lado” é o que oiço em The Cost Explodes. Este trabalho de 2007 editado pela Holy Mountain, é uma obrigação de audição para quem gosta de stoner rock psicadélico.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Squidbucket























Ainda à procura de editora continuam os norte americanos Squidbucket como muitas outras bandas. Não ter editora não significa de todo não ter qualidade. Não há muito para falar sobre eles ainda. Uma das poucas coisas que descobri é a troca do nome Crux para Squidbucket. As suas influências musicais agrupam os Tool aos Mars Volta e de maior destaque os Primus. O baixo encarna uma personagem que se encontra de vez em quando com os dedos de Les Claypool. Queriam ser cinco elementos e só tocam três no estúdio. Procuram vocalista e convidam um baterista à altura. Waterborn Robot não nos deixa indiferentes com os primeiros toques melodiosos de guitarra, lembra-me um início à Kyuss ou Tool, todos os instrumentos acrescem e se abraçam, o baixo vigora todo o espaço ao encontro dos riffs experimentais de uma guitarra distorcida. Pode-se ver um vídeo de Crux e ouvir Squidbucket no espaço.

domingo, 26 de agosto de 2007

Souvenirs d'un Autre Monde




















Neige
admitiu que não ouviu bandas pós rock ou do tipo que se enquadra ao género, já que agora inventa-se estilos para tudo, antes de gravar o seu primeiro álbum. Eu acredito. Souvenirs d'un Autre Monde pede-me todos os dias para cantar. Não há nada de mais puro, motivador e embrionário. Neige é o único nestes sons infindáveis que se encontra por vezes com a angelical voz de Audrey (Amesoeurs). Ouvimo-lo em todos os instrumentos envolvidos por mãos de criança. A sensibilidade de Souvenirs d'un Autre Monde não pertence aos ouvidos presos e frios, ele chama-nos sem sabermos. Na primeira instância sentimos um calafrio que há tanto esperávamos. Se há coisa que não gosto são os valores de avaliação que dão aos álbuns, mas este incontornavelmente vai ser guardado com distinção. É mesmo uma criança que nos toca uma viagem num outro mundo. Não há nada de mais belo. O primeiro álbum de Alcest é intenso demais para ouvi-lo de uma só vez. Anteriormente a banda conta com a demo Tristesse Hivernale de 1999 e com o ep Le Secret de 2005. Em Souvenirs reconhecemos o toque black metal que a guitarra e o baixo deixam esvoaçar logo na primeira faixa. O que torna Alcest tão especial é a aproximação atmosférica e melancólica de elementos que criam um ambiente único.
ouvir

sábado, 25 de agosto de 2007

as mudanças que o tempo traz

Lá se vai o tempo em que trocava cassettes com o meu melhor amigo e em que falávamos de música sem nos cansarmos porque tudo era mais difícil. As revistas mensais, os jornais semanais e fanzines faziam-nos ler durante horas sentados num banco de jardim, num de café ou até na própria sala de aula. Não se trata de pôr de parte o tempo de hoje, o da explosão da indústria da música, dos downloads e da mãe tecnológica que nos abre as mãos para tudo que queremos ver, ou quase tudo. O tempo de hoje é difícil porque requer demais. Ou ouvimos tudo e não ouvimos nada ao mesmo tempo ou seleccionamos realmente o que nos interessa. Falta o tempo de ouvir a voz de um amigo hilariante ao dizer que conseguiu gravar os dois minutos que faltavam do vídeo clip a acabar, ou uma entrevista que apanhámos por milagre no Viva zwei. Sinceramente é disso que eu sinto saudade. Hoje partilhamos de tudo e no fundo não partilhamos é nada.